Foto: André Velozo

Joe Satriani – Best of Blues (06/08/2017, São Paulo – SP)

Domingo de sol no Ibirapuera, uma multidão de pessoas já se juntava nos gramado atrás do Auditório Niemayer, mas ainda havia bastante espaço para sentar e curtir a tarde tranquila antes do show gratuito. Uma hora antes do horário marcado porém, os espaços foram se enchendo até o local ficar totalmente lotado com todos aguardando ansiosamente o início da edição 2017 do “Best of Blues”, evento que já trouxe para o Brasil nomes consagrados como Jeff Beck, Buddy Guy, John Mayall, Taj Mahal, Joss Stone, Dr. John entre outros.

Um soundcheck de última hora em que as caixas de som do local pareciam falhar deixou o público apreensivo, mas o problema pareceu se resolver a tempo do show de abertura do guitarrista de Blues brasileiro Artur Menezes. Artur interpretou diversos clássicos do Blues e do Rock, começando com “Hideaway” do lendário Freddie King. Intercalando as canções tradicionais com algumas mais recentes, Artur deixou claro sua admiração por Stevie Ray Vaughan ,(como não poderia ser diferente para qualquer guitarrista de Blues) tocando três de seus temas mais famosos – “Say What!”, “Tin Pan Alley” e “Tightrope”. Artur também não escondeu seu afeto pelo astro da noite, dizendo: “Eu vim aqui pra assistir, tocar é só mais um plus!”. Uma jam session final no melhor estilo Jimi Hendrix concluiu o grande show de abertura e deu vez ao maestro do shred melódico que é Joe Satriani.

Foto: André Velozo

Já de noite, com uma belíssima lua cheia pendurada em cima do Auditório, um breve filme de introdução foi projetado no telão. O filme, que apenas poderia ser descrito como “neo-psicodelismo espacial”, intercala perfeitamente com o tema do disco mais recente de Joe Satriani, Shockwave Supernova. O próprio entrou instantes depois acompanhado de sua banda para a execução da faixa título do álbum para o delírio do público. A mais lenta “Flying In A Blue Dream” seguiu com o telão projetando imagens de uma nave espacial viajando por planetas tirados diretamente de um filme de ficção científica. “Ice 9” e “Crystal Planet” seguiram, com Satriani incendiando as cordas de sua guitarra com cada frase que tocava. Durante as primeiras músicas a guitarra de Satriani estava notavelmente mais baixa que a guitarra base, levando muitos a gritarem “Aumenta! Aumenta!”. Os técnicos devem ter aceito a dica, pois o problema foi rapidamente resolvido.

Satriani é abençoado com aquele dom invejável que poucos guitarristas no mundo tem – faz do difícil parecer fácil e do fácil parecer difícil. Dispensando poucas palavras, Satriani conversou com os fãs e os agradeceu pela noite ao dedicar a próxima, “Friends”, a eles. “If I Could Fly”, que foi o centro de uma polêmica anos atrás quando a banda Coldplay foi acusada de plagiar a melodia em sua canção “Viva La Vida”, veio depois, seguida por “Butterfly and Zebra” e “Cataclysmic”, ambas do novo álbum. Além da incrível química entre os músicos no palco, se destacou também o tremendo trabalho com as luzes e os visuais psicodélicos projetados no telão que complementavam a música perfeitamente. Realmente, foi um show completo em todos os sentidos e todos presentes sentiam o prazer de viver essa experiência nesse show gratuito.

Foto: André Velozo

Enfim, veio um de seus maiores clássicos, “Summer Song”, que até então recebeu a maior ovação do público. Um eletrizante solo de bateria de Marco Milnnemann, que também gerou grande reação por parte do público, deu inicio a uma jam session com direito a um solo de teclado de Mike Keneally, que atuou como guitarrista base e providenciou grandes solos de guitarra junto com Satriani durante a noite. A balada clássica “Always With You, Always With Me” silenciou o Ibirapuera, que se fixava em Satriani com um olhar incrédulo. Mais uma jam session, dessa vez com o baixista Byran Beller providenciando o solo, foi o segway para um medley de clássicos do AC/DC, Deep Purple, The Police, Led Zeppelin e Jimi Hendrix.

A faixa que todos os guitarristas aspirantes conhecem bem, “Satch Boogie”, viu o maestro mais uma vez deixar os espectadores de queixo caído. Notava-se que muitos dos presentes eram músicos simplesmente pela maneira que acompanhavam os movimentos de Satriani e como trocavam ideias com os amigos entre as canções. O maestro das cordas, provou que é de fato também um grande mestre de cerimônia. Durante mais uma jam, Satch tocava uma lick e levava o público a responder por igual. É algo que muitos cantores fazem, mas não é comum de se ver um guitarrista fazer o mesmo uma vez que é bem difícil de replicar o som de uma guitarra. Isso apenas prova o gênio que é Joe Satriani; poucos outros guitarrista conseguem criar melodias como ele e nenhum consegue fazer a guitarra cantar da maneira que ele faz.

Foto: André Velozo

Antes de se despedir, Satriani mais uma vez agradeceu ao público e aos organizadores do “Best of Blues” pela noite. Disse: “Esse ano estamos comemorando 30 anos de Surfing With The Alien. Agora, muitos podem se perguntar ‘mas que que Blues tem a ver com Surfing?’ Bem, muita coisa!”, e com com isso veio seu maior clássico. Com o primeiro power chord de “Surfing With The Alien”, todos presentes soltaram um tremendo rugido e vibraram a cada segundo da canção. Com imagens do seriado animado do Surfista Prateado ao fundo, “Surfing With The Alien” mostrou tudo o que Satriani sabe fazer, encerrando o show da melhor maneira possível.

Ou foi?

Justo quando se parecia que o espetáculo havia acabado, Satriani convidou Artur Menezes de volta para o palco para mais uma jam bluseira e para fechar com “Going Down” de Freddie King, um dos maiores clássicos do Blues. Os dois não trocavam apenas licks, trocavam sorrisos, e no o final ambos se curvaram um para o outro, numa linda exibição de confraternização entre os dois guitarristas para trazer a edição de 2017 do “Best of Blues” a um final perfeito.

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